Muito candidato, pouca política
A perspectiva do eleitor para a eleição deste ano talvez seja uma das piores dos últimos tempos. Não pela falta de candidatos, mas pela pobreza do debate. De um lado, vemos candidatos tentando conquistar atenção comendo diante das câmeras, fazendo gracinhas ou copiando tendências populares para parecerem espontâneos, inteligentes e, principalmente, viralizarem. O problema é que viralizar não significa, necessariamente, converter atenção em voto, enquanto as discussões realmente importantes ficam em segundo plano.
Do outro, aparecem ideias mirabolantes sobre economia, emprego, preços e desenvolvimento, como se decisões políticas pudessem ignorar as regras de uma economia capitalista, as limitações do Estado e a própria capacidade de influência do cargo pretendido. Há ainda os que repetem discursos sobre redução de gastos, justiça social, responsabilidade fiscal ou combate aos privilégios, mas raramente explicam onde cortarão, quem pagará a conta ou como transformarão essas ideias em decisões concretas.
O problema maior é o empobrecimento da política como espaço de discussão séria. Quando propostas são substituídas por performances, slogans e promessas impossíveis, sobra ao eleitor escolher não necessariamente o melhor projeto, mas aquele que parece menos ruim. E talvez esse seja o retrato mais preocupante desta eleição: temos candidatos demais tentando chamar atenção e poucos demonstrando que realmente compreenderam, com seriedade, os problemas que pretendem enfrentar.
Sobre o autor
Cristovão Pinheiro é consultor político e estrategista de comunicação, com mais de 25 anos de experiência. Dirige a Metaverso Brasil, atuando com estratégia, inovação, tecnologia e comunicação. Foi reconhecido entre os 50 maiores estrategistas políticos da América Latina.
